A URZE – Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela defende a recuperação das áreas destruídas pelos incêndios na região e também uma aposta na pastorícia como meio de prevenção dos fogos rurais.
“A aposta tem que passar fundamentalmente por estas duas componentes na Serra da Estrela: é a pastorícia, é, de facto, a floresta, mas uma floresta feita com pés e cabeças”, refere José Mota, presidente da associação URZE, com sede em Gouveia.

Os incêndios deste ano, que nos dias 15 e 16 de outubro atingiram de forma particular os concelhos de Seia e de Gouveia, destruíram uma área de mais de 27 mil hectares do Parque Natural da Serra da Estrela , o que corresponde a 25% da área total, segundo o responsável.

No futuro, José Mota defende a recuperação de todas as áreas degradadas da Serra da Estrela, “que neste momento serão mais de 50 mil hectares”, com plantas autóctones.

“Não é difícil fazê-lo. Mais de 25% são baldios. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem aqui uma grande responsabilidade. E nós, enquanto entidade gestora de resíduos, podemos fazer a outra parte, ir ter com o proprietário. Deem-nos condições para, de facto, o fazermos”, afirmou o presidente da associação que encara a floresta como um elo de ligação entre a ecologia e a economia.

Analisando a área destruída pelos incêndios deste ano e os cerca de 3.500 hectares destruídos em 2015 e os cerca de 2.200 em 2016, o responsável aponta que o Parque Natural da Serra da Estrela “é hoje uma manta de cinzas” e onde é preciso intervir “urgentemente”.

No entanto, o presidente da URZE lamenta que sendo uma área “tão importante em termos ambientais”, o Governo não tenha incluído o Parque Natural da Serra da Estrela na experiência piloto que vai ser alargada a outras áreas protegidas do país, como a Serra da Malcata e o Parque de Montesinho.

José Mota lembra que em 2013 a URZE foi premiada pelas Nações Unidas pelo Programa de Recuperação de Áreas Degradadas da Serra da Estrela, um projeto que visava a recuperação de 30 mil hectares com plantas autóctones, nomeadamente carvalhos, castanheiros e bétulas, e a componente da pastorícia, que não foi concretizado por falta de financiamento.

“Se antes existiam 30 mil hectares de áreas degradadas, hoje existem mais de 50 mil hectares”, que exigem “uma intervenção rápida”, disse.

As atividades de pastoreio são importantes para manter a limpeza nas redes primárias de gestão de combustíveis, que impedem a progressão dos incêndios, indicou.

A URZE tem a decorrer um projeto de pastorícia na rede primária de Alfátima, uma cumeada entre as encostas de Gouveia e de Manteigas, onde são mantidas 400 cabras que fazem o “trabalho de bombeiros”.
Se nos incêndios deste ano e de 2015 a rede primária “não tivesse sido mantida com o recurso à pastorícia, as consequências teriam sido, de facto, muito maiores”, concluiu.

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